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Biblioteca - Artigos - Corporativo x Acadêmico
Autora: Crislaine Coscarelli

Mesmo distantes hoje, o EAD (ensino a distância) corporativo e o acadêmico tendem a se fundir no futuro, tornando-se complementares. Essa é a análise feita pela maioria dos profissionais do seguimento. A universidade conta com os melhores profissionais não só para a elaboração de conteúdo como também para o desenvolvimento de ferramentas mais ágeis e de fácil uso, mas faltam recursos financeiros para a concretização dessas idéias. Já o setor corporativo tem a maior demanda por novos cursos e treinamentos, além de grande interesse em investir na melhoria destes para auxiliar o desenvolvimento de seus profissionais, mas não tem o conhecimento necessário para criar treinamentos sozinho.

"Enquanto o mercado corporativo busca a eficácia otimizando o custo/benefício, na academia você busca a eficácia através da excelência pela excelência, por isso muitas vezes é economicamente inviável. O projeto é lindo, mas ele não tem sustentabilidade nem recursos financeiros para ser implementado, é esse o conflito. Se você analisar que os grandes centros de excelência estão em universidades públicas, tem outro dilema porque a universidade pública não pode cobrar, então como é que você faz um investimento novo se você não vai ter uma fonte de receita para cobrir isso?", diz o diretor-executivo da FGV Online, professor Carlos Longo.

A economia atual gera a necessidade de praticar o ensino a distância com mais ênfase, mas é necessário um investimento nas universidades onde o recurso não existe para que isso se torne real.

Na opinião da professora Cristiane Alpersdt, diretora da área de negócios da Faculdade Anhembi Morumbi, as diferenças entre o corporativo e o acadêmico são pequenas. "Basicamente o acadêmico faz parte, no âmbito de graduação seqüencial ou mesmo de pós, de um contexto mais amplo. O corporativo é composto por módulos e está fora de um contexto de grade curricular, são módulos avulsos. A tendência é trabalhar com módulos mais curtos no EAD acadêmico e com cargas horárias mais curtas também, porque assim torna-se mais produtivo e se aproxima mais dos módulos corporativos", afirma.

Segundo a professora, a Anhembi já tem uma série de parcerias firmadas com empresas para a elaboração de cursos in company. "Trabalhamos focados nas expectativas empresariais, para transpor a prática presencial para uma mídia a distância. Observamos o que a empresa quer e formatamos o curso dentro daquela linha, com linguagem corporativa e atendendo a expectativa da empresa e focando na nossa especialidade que é prestação de serviço educacional. Como conhecemos bem os recursos didáticos, as vantagens e desvantagens de determinados caminhos e opções, conseguimos bons resultados com a soma da necessidade da empresa e a nossa especialidade", destaca Cristiane.

No cenário da educação a distância, estes dois movimentos, o do ensino corporativo e o do acadêmico, terminam por receber designações diferentes. A expressão está mais apropriada para o corporativo que utiliza ferramentas digitais para a apresentação de conteúdos, atividades e relacionamento com alunos, principalmente para oferta de programas de treinamento e requalificação de mão-de-obra interna. E, por outro lado, a expressão "universidade virtual" caracteriza o uso das mesmas tecnologias digitais para a oferta de cursos superiores a distância, porém orientados para a formação geral. Assim, uma nova distinção se apresenta: enquanto a universidade corporativa tem como público-alvo o público interno, e a empresa, o seu mercado e os concorrentes como cenário de simulações, a universidade virtual trabalha com um público que vem do ambiente externo para buscar ali a sua formação.

"O que acontece muito forte na academia que não acontece mais no mercado corporativo é a resistência à mudança. Os acadêmicos resistem muito a se imaginar substituídos por uma máquina, por um computador, o que não é uma verdade, isso nunca vai acontecer. O professor passa a ser mais um insumo, o aluno passa a procurar por ele para adquirir o conhecimento. Ele gere suas deficiências, ele passa a ser o maestro e gestor de seu próprio conhecimento", finaliza o professor Longo.

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